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Wednesday, June 08, 2005

De volta à VIDA REAL

E a Vida Real anda mais real que nunca, diga-se.
Juro que, quando cheguei e abri o jornal, fiquei com vontade de dar meia-volta volver.
Eu tinha pensado em escrever um texto contando da Suíça, do povo que não transgride, dos Alpes que parecem bolos polvilhados com açúcar de confeiteiro, do meu recém-inaugurado medo de avião, das vacas de nariz rosado e sineta no pescoço, da neve e, é claro, das orgias chocolatais. Mas vai ficar pra depois.

De volta do mundo de faz-de-conta, mesmo com a mesa atulhada de trabalho acumulado de três semanas, não dá pra deixar de pensar em algumas coisas.

Bom, há uns dias eu mudei de cidade. Fui morar em Quatro Barras, cidade da região metropolitana de Curitiba. É uma cidade bem agradável, bem acolhedora e com o céu mais estrelado do mundo. Mas me obriga a passar uns quarenta minutos diários na estrada.

Hoje, quando eu vinha ao trabalho, sob neblina, pensei o quanto é solidário o ambiente em uma estrada. Sim, pois dirigimos na confiança de que os demais veículos façam... a coisa certa. Estando a noventa quilômetros por hora eu confio que o motorista da frente esteja a uma velocidade superior, ou que me dê passagem, deslocando-se gentilmente, à direita. Se, por um acaso, o motorista da frente frear bruscamente, não sobrará Karinassa para contar a história, certo? A estrada é sempre um sistema de cooperação e confiança mútua.

Mudando de assunto, há uns tempos atrás, recebi um e-mail meio apelativo, discorrendo o quanto o brasileiro é capaz de se unir para uma votação do Big Brother, e que usasse a mesma força para repassar uma mensagem qualquer de Jesus, Deus, Jeová ou afins (não lembro). Não dei muita importância, mas a mensagem trazia uma verdade: o brasileiro é sim, capaz de construir, a partir da união. “A união faz a força”, mais do que um clichê boboca, é uma verdade.

Vamos ao cenário político: será, realmente, que o brasileiro não sabe votar? Será que todos, absolutamente todos os ocupantes de cargos eletivos tem algo de podre? Será que o poder corrompe qualquer índole? Não é possível que com tantas mudanças de ideologia, tantas idas e vindas, um problema tão essencial continue sendo o nosso maior problema. Será que, eu, que sempre me vangloriei tanto pela honestidade, de posse de algum poder, deixaria me seduzir? E você?.... Você já tentou subornar um guarda de trânsito? Você ofereceu uma garrafa de vinho vagabundo ao funcionário público que lhe passou à frente, naquela fila? Você já usou da influência daquele seu tio, para conseguir um cargo na empresa?

Será, pordeusdocéunossosenhor, que a desonestidade está, realmente, encruada no brasileiro? Faz parte da nossa cultura? Que tipo de cultura é essa? Talvez os governantes só tenham mais poder, mais oportunidade...

Se o brasileiro tem uma capacidade tão devastadora, na sua união, poderíamos nos unir nesse esforço. Não consigo aceitar que a cultura brasileira tenha, como principal característica, tamanha podridão. De onde veio isso? Vamos exterminar... vamos viver uma vida direita, vamos pensar no coletivo, no geral... vamos exterminar a mesquinharia... como numa estrada.

Você não freia bruscamente, e todos seguimos em paz.

Pensando bem.... não é a toa que o país é campeão em acidentes de trânsito.

Monday, May 16, 2005

Adivinha só...

...de onde estou escrevendo?
Berna, Suiça.

Pois é, o outono curitibano me deixou gripada e o médico recomendou que eu me reestabelecesse na primavera européia*.

Vou ficar aqui até o fim do mês e, provavelmente, não volte a postar até então.

Claro, se os Alpes Suiços estiverem muito enfadonhos, ou, entre uma orgia chocolatal e outra, talvez eu possa deixar um recado.

Mas a previsão de novos textos é junho, mesmo.


*ok, é mentira, eu vim visitar minha irmã, que mora por aqui, mas achei que a história de recuperação médica soaria chiquetosésima.

Wednesday, May 11, 2005

Programaço

MEMORIAL DE CURITIBA: Rua Claudino dos Santos, s/nº - Largo da Ordem. Info: 41-321-3263

Salão Paraná – Abre no próximo dia 12/5, às 18h30, a exposição individual de
GLAUCIA FLÜGEL “Cerâmica Mínima”
A exposições permanece até dia 10 de julho para visitação pública.

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A partir da próxima quinta-feira (12), o Memorial de Curitiba estará com todas as suas salas ocupadas com novas exposições de pinturas, desenhos, objetos e cerâmicas de artistas paranaenses. Com temas e técnicas variadas, as exposições apresentam trabalhos de Gilberto Kosiba, André Rigatti e Glaucia Flügel. Os artistas tiveram suas propostas selecionadas pela Comissão de Artes Visuais da Fundação Cultural de Curitiba para o calendário de 2005.
Cerâmicas.

A artista Glaucia Flügel expõe obras da série "Cerâmica Mínima". Sua proposta é utilizar esta técnica para manipular o espaço de maneira mínima, explorando situações de sustentação e equilíbrio com fragmentos minúsculos de argila, que são incorporados ao azulejo industrializado. O trabalho parte de restos de elementos de argila, como raspas de argila, poeira, pequenos fragmentos quebrados, colhidos de forma arbitrária, em seu estado bruto, não processado. Eles são, então, fundidos a um material com alto grau de acabamento. A artista mostra assim a cerâmica, uma técnica milenar, em seu grau mais bruto, experimental, com a sua manifestação mais atual e tecnológica.

(é, a Glaucia é uma das pessoas mais talentosas que já conheci e, por acaso, grande amiga que tenta situar um pouco a minha mente deformada pelas objetividades nesse mundo subjetivo das artes)

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Estou gripada (e você com isso não?) e acabo de voltar de uma farmácia em busca de uma caixa de lenços de papel.

Minha nova aquisição leva o nome de OS MELEKAS, e é representada por uns monstrinhos, dentre eles um amarelo e outro verde. Eles parecem aqueles desenhos que fazíamos no caderno escolar, quando éramos introduzidos ao fascinante mundo das amebas. Só que OS MELEKAS têm carinhas.

Interessante para uma caixa de lenço de papel.
Eis a foto dos meliantes:

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Só eu achei um pouco nojento?

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Algum dos meus milhares de fãs bem que poderia me ensinar a colocar umas figurinhas por aqui. Simplesmente não consigo usar o tal do Hello, sugerido pelo Blogspot. Tudo bem, eu sei que já postei uma figura por aqui (vai lá no post de 08 de março que você acha) mas não lembro como fiz...

Seu eu soubesse colocar figurinhas, esse post seria lindamente ilustrado primeiro por uma das obras-de-arte da Glaucia. Depois pela fotografia de um dos Melekas.

Pensando bem... acho que uma figura destoaria um pouco da outra.
Ainda bem que eu não consegui!

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Update:

Só tenho a agradecer às milhares de ofertas quase instantâneas para me ajudar a hospedar figuras. Agradecimentos especiais ao fofésimo do Ronald Rios, que me pegou (no bom sentido) online no messenger e me deu a dica quentissima do Photobucket.

Wednesday, May 04, 2005

Floreios

Sabe aquele “a nivel de...”? Chega a estar ultrapassado, depois de tanto reforço do professor Pasquale Cipro Neto, certo? Dói no ouvido...

A derrapada da hora na Gramática Tradicional é o gerúndio, culpa das mocinhas de telemarketing. Confesso que também me incomoda um pouco a forma verbal, quando sou a interlocutora de algo semelhante a “estarei transferindo a ligação para você estar solicitando o seu cd aromatizado”. (a quem interessar, o telefone para pedir a sua coleção de cds aromatizados é 11 - 4152 1515)

Mas tem algo que realmente me incomoda muito mais que qualquer falso erudito que floreia seus dizeres com “a nível de“. Muito mais que qualquer moça que ganha a vida honestamente empurrando suas Flat Hose's pelo telefone. Acho que me incomoda mais que qualquer "pobrema” proferido por qualquer um. São os discursos que modifica a pronúncia normal das palavras pra se fazerem entender melhor, como se o interlocutor não fosse inrteligente o suficiente para captar o significado das palavras.

Tenho ouvido muito “pré-conceito”, por aí, assim, com a vogal tônica no primeiro e, forçando a didática através da fragmentação da palavra.

Tenho preconceito com relação a pré-conceito.

Monday, May 02, 2005

O preço árduo de uma vida saudável.

Diz o manual da boa saúde que, depois dos 25, é bom fazer periodicamente um chek-up médico, certo?
Certo, então lá foi a Karinassa fazer o seu primeiro chek-up.
“Em princípio” - dizia o homem vestido de branco autoritário - “está tudo bem. Vou pedir que você faça apenas alguns exames de rotina.”
E assim passou a preencher meia dúzia de guias da Unimed.

Comecei a minha saga. Doze horas de jejum: tirar sangue. Duas horas depois do almoço: tirar mais sangue.
Pude perceber o quanto é singular o ambiente de laboratório. Vários velhinhos carregando seu próprio xixi. Se um e.t. desembarcasse no plano terreno e nos questionasse sobre a cena... como faríamos para explicar? Mas essa foi a parte fácil.

Em pleno sábado de manhã, num frio dos infernos, me pego perguntando porque é que eu sou caxias a ponto de agendar exames no sábado pela manhã, quando é perfeitamente lícita e documentável mediante atestado médico a ausência no trabalho para tratar da saúde, ainda que a minha esteja ótima. Pego uma das guias de solicitação de exame e me deparo com um bilhetinho em papel xerocado:
“Para o eletrocardiograma é aconselhável que o paciente esteja trajando roupa de ginástica e tênis”.

Tênis? A quanto tempo não tenho um tênis? Será que aquele, comprado em 1995, que está com o solado quebrado, serve? Ou será que opto por uma bota, para correr na esteira? Optei pelo tênis jurássico.

O resto da “roupa de ginástica” era fácil: calça de moletom do tipo sábado chuvoso e camiseta. Camiseta? Só me restaram aquelas com valor afetivo... A escolhida estava um pouco amarelada, com a designação do curso da faculdade. Considerando que entrei na faculdade em 1996... é, o amarelado se justifica.

E lá fui eu, revelando ao mundo, pelos trajes, a minha vida sedentária.

Vida sedentária confirmada pelo eletrocardiograma, quando, depois da corrida de um quilômetro, eu já colocava os bofes pra fora. Percebi que o médico exitou um pouco entre marcar o “X” no campo condicionamento físico. Quase marcou no “regular”, mas optou pelo “bom”.

Só me restava um exame. O tal do “mapeamento da pressão arterial”, ou qualquer coisa que o valhe.
“É muito simples” – tranqüilizava a assistente do médico – “a gente vai colocar um aparelhinho em você, e amanhã de manhã você retira ele”. Pelo “aparelhinho” imaginei aqueles cintos que marcam os batimentos cardíacos e que são colocados nos participantes do Big Brother, em dia de eliminação.

Ah, como se decepcionam as pessoas otimistas!

O “aparelhinho” era um trambolho medidor de pressão automático, que não poderia ser retirado durante as 24 horas de uso. Assim, eu não poderia realizar atividades de maior complexidade, como tomar banho. Seria, também, impossível camuflar o “aparelhinho” de qualquer maneira, o que me fez sentir uma inválida, diante do olhar de pena das pessoas na rua. Pra completar, aquele trambolho insistia em inflar até cortar a minha circulação de quinze em quinze minutos, o que fazia impossível o esquecimento da presença do instrumento de tortura. Cogitei se usar uma bolsa de colostomia intestinal seria pior... certamente seria mais discreta.

Enfim, meu fim-de-semana estava arruinado. Tanto a sessão caseira de cineminha organizada pelo Tio Cristão, quanto a saída, que prometia ser boa, anunciada pelo sêo stereo.

Era tanto o desgosto que saí a perambular pelas ruas da cidade, e, quando dei por mim, estava na Rua Teffé*.
Revoltada, tomei uma atitude drástica e radical:

Entrei numa loja e comprei um tênis!



(*rua famosa pelas lojas de ponta de estoque de calçados)

Friday, April 29, 2005

Inspirado em fatos reais...

- Alô?
- Ô meu grande amigo! Quanto tempo?
- Pois é... o tempo voa! Bom falar com você!
- Bom falar com você, também! Tudo em riba?
- Tudo azul! Estou ligando para marcarmos um cineminha...
- Claro, claro! Quando você quiser!
- Aí aproveito e deixo aquele livro que prometi pra você.
- Opa! Beleza! Mas não tem pressa não. Você pode me entregar outra hora.
- Não, não posso.
- Hã?
- Pois é, não vou poder entregar outra hora.
- (riso nervoso) Está com alguma doença incurável?
- Não... é que comecei a namorar.
- Uhuuu! Que legal! Legal mesmo! E é bacana a menina?
- É, é bacana, sim. Mas, agora, não poderemos mais nos ver...
- ...
- Sabe como é... os amigos se afastam quando um deles começa a namorar.
- Mas a gente se conhece há tanto tempo... não vejo motivos para instituirmos o afastamento desde já, de maneira formal.
- Ah, sabe como é... lembra da última namorada? Ela detestava você!
- Não sei porque! Nunca ofereci nenhum obstáculo a ela!
- É por conta daqueles esqueminhas que a gente teve...
- Mas aquilo foi no verão de 1987! Foi coisa de criança.... foi brincadeirinha! Nunca tivemos um romance.
- É, eu sei, mas ela não gostava. Não quero que isso atrapalhe esse namoro novo. E também vai ter a falta de tempo.
- ...
- Você ainda está aí?
- Estou.... estou tentando digerir o seu sumiço anunciado com antecedência.
- ...
- É revoltante, sabe! Você realmente conseguiu me magoar.
- Não era a intenção...
- Não venha com a desculpa de falta de tempo! Duvido que você tenha ‘se despedido’ do resto dos amigos! Duvido que tenha anunciado o sumiço.
- Não...
- O sumiço nas relações acontece quando elas se esgotam. Quando não há mais um elo, ainda que seja um sumiço temporário. Ele não é anunciado! Não é institucionalizado. Ele vai se definindo.
- ...
- Sabe o que parece? Que você tem amigos, ou melhor, as amigas, para preencher o tempo, para ter uma referência feminina sempre pro perto. Mas, foi achar uma namorada, as amigas se tornaram dispensáveis.
- Não é isso.
- É o que, então?
- Eu só queria entregar o livro... porque talvez a gente demore a se rever...
- Manda pelo Sedex!


UPDATE: Para que eu perca o amigo de vez, vamos aos fatos:
A escolha das palavras do título do texto não foi aleatória. Não se trata da descrissão de uma situação real, e sim de uma ficção inspirada (não baseada)em fato real.
O diálogo real não foi exatamente o diálogo acima, nem o meu interlocutor apresentou a mesma frieza.
Não houve, nem haverá afastamento entre nós, já que a nossa é uma amizade longa e sólida.
É logico que, para ser digna de publicação na SK, a história precisava de uma dose de exagero e tragédia.
Uma ceninha é necessária, já que, como diria Ronald Rios, "vida real é um saco".

Thursday, April 28, 2005

Formalizando

Convidada por um dos homenageados da noite, ontem, compareci à Assembléia Legislativa do Estado do Paraná para uma noite de reconhecimentos ao empreendedorismo de alguns membros da sociedade, em comemoração ao dia do trabalho que está por vir.
Confesso que não me senti muito bem ao entrar no Plenário Aníbal Khury. Aníbal Khury foi uma espécie de Antônio Carlos Magalhães do Paraná, e já foi tarde, para o além, há uns anos atrás. Mas a hipótese do fantasma conorelista do antigo deputado arrastando correntes pelo ambiente me causava arrepios.

Como o homenageado que me convidou ao evento é, de fato, alguém empreendedor o suficiente a ponto de, merecidamente, ser suscetível a uma homenagem, achei que o evento premiaria realmente as personalidades fundamentais ao estado, que, quem sabe, teriam dedicado a vida em nome de uma causa, teriam aberto mão de interesses privados pelo bem comum. Essas pessoas mais elevadas.

Ah.... a decepção!

Eram centenas de homenageados, com as explicações mais esdrúxulas possíveis. Desde “Fulano, que é o presidente da associação de reabilitação do Paraná” (e aparecia um maneta pra receber uma espécie de certificado) até “Beltrano que é formado em teologia e psicologia” (juro!)

Ao final, fui ter com o homenageado pelo qual havia ido ao evento:
- E aí? Como foi que a Assembléia tomou conhecimento da sua dedicação à causa? Como foi que você recebeu a notícia? Sente-se, enfim, reconhecido?
- Ah, consegui com um deputado aí.
- ...

Assim explica-se porque, “Beltrano, que é formado em teologia e psicologia” fez jus ao certificado. Conseguiu “com um deputado aí”.

Essas homenagens legislativas são que a formalização da puxação de saco política. Deprimente....