De volta à VIDA REAL
E a Vida Real anda mais real que nunca, diga-se.
Juro que, quando cheguei e abri o jornal, fiquei com vontade de dar meia-volta volver.
Eu tinha pensado em escrever um texto contando da Suíça, do povo que não transgride, dos Alpes que parecem bolos polvilhados com açúcar de confeiteiro, do meu recém-inaugurado medo de avião, das vacas de nariz rosado e sineta no pescoço, da neve e, é claro, das orgias chocolatais. Mas vai ficar pra depois.
De volta do mundo de faz-de-conta, mesmo com a mesa atulhada de trabalho acumulado de três semanas, não dá pra deixar de pensar em algumas coisas.
Bom, há uns dias eu mudei de cidade. Fui morar em Quatro Barras, cidade da região metropolitana de Curitiba. É uma cidade bem agradável, bem acolhedora e com o céu mais estrelado do mundo. Mas me obriga a passar uns quarenta minutos diários na estrada.
Hoje, quando eu vinha ao trabalho, sob neblina, pensei o quanto é solidário o ambiente em uma estrada. Sim, pois dirigimos na confiança de que os demais veículos façam... a coisa certa. Estando a noventa quilômetros por hora eu confio que o motorista da frente esteja a uma velocidade superior, ou que me dê passagem, deslocando-se gentilmente, à direita. Se, por um acaso, o motorista da frente frear bruscamente, não sobrará Karinassa para contar a história, certo? A estrada é sempre um sistema de cooperação e confiança mútua.
Mudando de assunto, há uns tempos atrás, recebi um e-mail meio apelativo, discorrendo o quanto o brasileiro é capaz de se unir para uma votação do Big Brother, e que usasse a mesma força para repassar uma mensagem qualquer de Jesus, Deus, Jeová ou afins (não lembro). Não dei muita importância, mas a mensagem trazia uma verdade: o brasileiro é sim, capaz de construir, a partir da união. “A união faz a força”, mais do que um clichê boboca, é uma verdade.
Vamos ao cenário político: será, realmente, que o brasileiro não sabe votar? Será que todos, absolutamente todos os ocupantes de cargos eletivos tem algo de podre? Será que o poder corrompe qualquer índole? Não é possível que com tantas mudanças de ideologia, tantas idas e vindas, um problema tão essencial continue sendo o nosso maior problema. Será que, eu, que sempre me vangloriei tanto pela honestidade, de posse de algum poder, deixaria me seduzir? E você?.... Você já tentou subornar um guarda de trânsito? Você ofereceu uma garrafa de vinho vagabundo ao funcionário público que lhe passou à frente, naquela fila? Você já usou da influência daquele seu tio, para conseguir um cargo na empresa?
Será, pordeusdocéunossosenhor, que a desonestidade está, realmente, encruada no brasileiro? Faz parte da nossa cultura? Que tipo de cultura é essa? Talvez os governantes só tenham mais poder, mais oportunidade...
Se o brasileiro tem uma capacidade tão devastadora, na sua união, poderíamos nos unir nesse esforço. Não consigo aceitar que a cultura brasileira tenha, como principal característica, tamanha podridão. De onde veio isso? Vamos exterminar... vamos viver uma vida direita, vamos pensar no coletivo, no geral... vamos exterminar a mesquinharia... como numa estrada.
Você não freia bruscamente, e todos seguimos em paz.
Pensando bem.... não é a toa que o país é campeão em acidentes de trânsito.
Juro que, quando cheguei e abri o jornal, fiquei com vontade de dar meia-volta volver.
Eu tinha pensado em escrever um texto contando da Suíça, do povo que não transgride, dos Alpes que parecem bolos polvilhados com açúcar de confeiteiro, do meu recém-inaugurado medo de avião, das vacas de nariz rosado e sineta no pescoço, da neve e, é claro, das orgias chocolatais. Mas vai ficar pra depois.
De volta do mundo de faz-de-conta, mesmo com a mesa atulhada de trabalho acumulado de três semanas, não dá pra deixar de pensar em algumas coisas.
Bom, há uns dias eu mudei de cidade. Fui morar em Quatro Barras, cidade da região metropolitana de Curitiba. É uma cidade bem agradável, bem acolhedora e com o céu mais estrelado do mundo. Mas me obriga a passar uns quarenta minutos diários na estrada.
Hoje, quando eu vinha ao trabalho, sob neblina, pensei o quanto é solidário o ambiente em uma estrada. Sim, pois dirigimos na confiança de que os demais veículos façam... a coisa certa. Estando a noventa quilômetros por hora eu confio que o motorista da frente esteja a uma velocidade superior, ou que me dê passagem, deslocando-se gentilmente, à direita. Se, por um acaso, o motorista da frente frear bruscamente, não sobrará Karinassa para contar a história, certo? A estrada é sempre um sistema de cooperação e confiança mútua.
Mudando de assunto, há uns tempos atrás, recebi um e-mail meio apelativo, discorrendo o quanto o brasileiro é capaz de se unir para uma votação do Big Brother, e que usasse a mesma força para repassar uma mensagem qualquer de Jesus, Deus, Jeová ou afins (não lembro). Não dei muita importância, mas a mensagem trazia uma verdade: o brasileiro é sim, capaz de construir, a partir da união. “A união faz a força”, mais do que um clichê boboca, é uma verdade.
Vamos ao cenário político: será, realmente, que o brasileiro não sabe votar? Será que todos, absolutamente todos os ocupantes de cargos eletivos tem algo de podre? Será que o poder corrompe qualquer índole? Não é possível que com tantas mudanças de ideologia, tantas idas e vindas, um problema tão essencial continue sendo o nosso maior problema. Será que, eu, que sempre me vangloriei tanto pela honestidade, de posse de algum poder, deixaria me seduzir? E você?.... Você já tentou subornar um guarda de trânsito? Você ofereceu uma garrafa de vinho vagabundo ao funcionário público que lhe passou à frente, naquela fila? Você já usou da influência daquele seu tio, para conseguir um cargo na empresa?
Será, pordeusdocéunossosenhor, que a desonestidade está, realmente, encruada no brasileiro? Faz parte da nossa cultura? Que tipo de cultura é essa? Talvez os governantes só tenham mais poder, mais oportunidade...
Se o brasileiro tem uma capacidade tão devastadora, na sua união, poderíamos nos unir nesse esforço. Não consigo aceitar que a cultura brasileira tenha, como principal característica, tamanha podridão. De onde veio isso? Vamos exterminar... vamos viver uma vida direita, vamos pensar no coletivo, no geral... vamos exterminar a mesquinharia... como numa estrada.
Você não freia bruscamente, e todos seguimos em paz.
Pensando bem.... não é a toa que o país é campeão em acidentes de trânsito.


