Vamos dar um tempo?
Sabe quando você tem um namoradinho. Pode ser uma namoradinha, de acordo com a sua preferência.
Então vocês estão naquela vida há um tempo considerável. Um já conhece os sinais do outro. Ambos já sabem o que agradarão e o que desagradarão o parceiro. Ambos já decifraram o que lhes agrada ou desagrada no parceiro. É uma relação que caiu no marasmo.
Eis que você reúne a ousadia necessária, e decreta: quero um tempo.
Muito duvidam do tal “tempo”, surgido nos namoros. Eu não. Ao menos, das vezes em que usei desse artifício, o tempo foi um tempo, mesmo. Uma semana. Duas no máximo. E logo depois o namoro voltada com todo o gás renovado, em toda a sua plenitude, com todas as palpitações que lhe conservam.
Sabe quando ficamos afastados de algo só para saber que é aquilo mesmo que queremos?
Pois foi mais ou menos o que ocorreu no meu namoro com a Internet.
Eu andava enjoada disso tudo. Já sabia como seriam os e-mails. Já sabia o que escreveria aqui na SK. Já deduzia o que estaria rolando no orkut. Já não me surpreendia com os blogues alheios. Já não havia mais o deslumbramento, a palpitação.
Aí, pedi um tempo. Pois é... o recesso de Internet, que era pra durar até o dia 21 de março, ultrapassou a barreira do mês.
Durante esse tempo, muita coisa aconteceu: mudei de cargo, no trabalho, mudei de cidade, fui ao cinema sozinha (coisa que nunca tinha feito e que se tornou um vício), retomei algumas relações, deixei de lado outras, li alguns livros, sofri o fracasso e o sucesso na mesma semana. Observei pessoas, entendi um pouco mais os meus pais, deixei de me entender um pouco mais. Entendi um pouco mais a vida e deixei de entendê-la um pouco mais. Até o Papa morreu nesse meio tempo. E, sinceramente, não entendi o impacto que desse fato em mim, uma não católica, se é que teve algum impacto.
De qualquer maneira, a solidão, quando buscada, é sempre um impacto. Nós mudamos, o mundo muda. Nós tomamos o lugar de expectadores, muito mais do que de atores. E não deixa de ser um descanso, quando o mundo atua diante de si.
Mas nós não deixamos de viver. E é isso o que mais aconteceu, durante o recesso de Internet. Eu vivi a minha vida.
Porém, como se fosse um tempo dado entre namorados, volto, com todo a gás da relação renovado, com o reinício das palpitações, eu e essa tal de Internet.
Vou começar respondendo e-mails atrasados. O seu também.
Então vocês estão naquela vida há um tempo considerável. Um já conhece os sinais do outro. Ambos já sabem o que agradarão e o que desagradarão o parceiro. Ambos já decifraram o que lhes agrada ou desagrada no parceiro. É uma relação que caiu no marasmo.
Eis que você reúne a ousadia necessária, e decreta: quero um tempo.
Muito duvidam do tal “tempo”, surgido nos namoros. Eu não. Ao menos, das vezes em que usei desse artifício, o tempo foi um tempo, mesmo. Uma semana. Duas no máximo. E logo depois o namoro voltada com todo o gás renovado, em toda a sua plenitude, com todas as palpitações que lhe conservam.
Sabe quando ficamos afastados de algo só para saber que é aquilo mesmo que queremos?
Pois foi mais ou menos o que ocorreu no meu namoro com a Internet.
Eu andava enjoada disso tudo. Já sabia como seriam os e-mails. Já sabia o que escreveria aqui na SK. Já deduzia o que estaria rolando no orkut. Já não me surpreendia com os blogues alheios. Já não havia mais o deslumbramento, a palpitação.
Aí, pedi um tempo. Pois é... o recesso de Internet, que era pra durar até o dia 21 de março, ultrapassou a barreira do mês.
Durante esse tempo, muita coisa aconteceu: mudei de cargo, no trabalho, mudei de cidade, fui ao cinema sozinha (coisa que nunca tinha feito e que se tornou um vício), retomei algumas relações, deixei de lado outras, li alguns livros, sofri o fracasso e o sucesso na mesma semana. Observei pessoas, entendi um pouco mais os meus pais, deixei de me entender um pouco mais. Entendi um pouco mais a vida e deixei de entendê-la um pouco mais. Até o Papa morreu nesse meio tempo. E, sinceramente, não entendi o impacto que desse fato em mim, uma não católica, se é que teve algum impacto.
De qualquer maneira, a solidão, quando buscada, é sempre um impacto. Nós mudamos, o mundo muda. Nós tomamos o lugar de expectadores, muito mais do que de atores. E não deixa de ser um descanso, quando o mundo atua diante de si.
Mas nós não deixamos de viver. E é isso o que mais aconteceu, durante o recesso de Internet. Eu vivi a minha vida.
Porém, como se fosse um tempo dado entre namorados, volto, com todo a gás da relação renovado, com o reinício das palpitações, eu e essa tal de Internet.
Vou começar respondendo e-mails atrasados. O seu também.

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